terça-feira, 7 de junho de 2011

Como escrever um romance

Ela: Normalmente não começa com “era uma vez”. Das várias vezes que você começa, acaba por não começando nada, e quando de uma vez te pega, já começou, e você? Você, sem nem perceber, já suspira um conto de fadas. Se eu soubesse que ia começar hoje não estaria com esse vestido desbotado, não daria risada comendo amendoim e nunca, definitivamente nunca, escolheria essa cólica monstruosa.

Ele: Eu posso voltar outro dia.

Ela: Claro que não, que isso, não liga para o que eu falo.

Ele: Eu não ligo. Por mim ela poderia estar falando qualquer coisa. O começo nem sempre é o conteúdo, mas a sintonia. Isso que faz a mesa de um bar cheio de bêbados fedendo a cerveja se transformar num belo cenário romântico. Poderia ser um ponto de ônibus, a fila de um banco, o degrau de uma igreja. E daí se alguém cair aqui do lado? Eu viro comunista, corintiano e ateu se for preciso, só não pare de falar, por favor.

Ela: Falou comigo?

Ele: Não, tava pensando alto.

Ela: Será que tá tão na cara assim? Vou para de olhar. Talvez eu me esconda atrás desse cabelo horroroso. Porque tinha que ventar logo hoje? Mas e se ele me descobrir? Eu descubro o que eu não procurava. Ou procurava? Posso encontrar o que não busco? Justamente quando tento me esconder daquilo que mais queria? Eu quero, assumo, mas deixo para que ele descubra, não dizem que no amor esse é o principal momento?

Ele: Chega até a ser engraçado o tanto que nos vendemos nessa hora. A gente não perde uma oportunidade para provar as semelhanças. Usamos a mesma mão para buscar o amendoim. Temos o mesmo gosto por cerveja. Ela disse que gosta de blues e eu tenho certeza que ouvi Little Richards na recepção do dentista hoje cedo. É um sinal.

Ela: O que disse?

Ele: Nada, desculpa.

Ela: Não precisa se desculpar.

Ele: Tá bom, desculpa.

Ela: Se fosse num filme a nossa mão se encontraria, ele pagaria a conta e me ofereceria uma carona.

Ele: E você?

Ela: Não, obrigado, volto de táxi.

Ele: Mas está tarde, eu moro perto da sua casa, não tem problema.

Ela: Não quero incomodar. Não quero muita coisa. Quero que goste de flores no cabelo, de vestido florido, mas às vezes de salto alto. Quero que não se importe com meus dias ruins e nesses dias ruins eu quero chocolate. E quero colo. E carinho na cabeça. Quero falar de política e assistir ao futebol com você. Até busco a cerveja se você não fizer disso um troféu quando seus amigos estiverem em casa. Mas também quero que não durma quando tiver filme e pipoca. Quero que goste de viagens, quero que goste da nossa casa. Quero que desenhe um coração na janela, que tome banho de chuva comigo. Quero que fique, ainda tá cedo.

Ele: Eu não sei se devo.

Ela: Qual o problema? Minha mãe até fez bolo.

Ele: Tá bom, só mais meia hora. Mais meia hora e daqui a pouco estamos juntos de novo. Será que ela gosta de rosas? E se todo mundo estiver de chinelo, o que eu faço com esses sapatos novos? Eu vou aprender a cozinhar. E a tocar violão. Tenho que leva-la pra jantar naquele restaurante japonês. E não deixar toalha molhada na cama. E acordar mais cedo pra preparar um café com leite. Tá bom de açúcar?

Ela: Tá perfeito. A viagem, as fotos, os bombons. Parece que faz tanto tempo. Parece que me mudei ontem, que ontem mesmo essa casinha tava vazia. E sentávamos nas almofadas para assistir tv. Que comíamos com o prato no colo. Parece que...

Ele: Agora a palavra aparece à boca muito mais fácil. O “eu te amo” que morria entalado na garganta agora dança tango. Que o silêncio agora é poesia de quem sabe o que ouve, mesmo distante. Parece que fiquei romântico! Agora pouco importa se as frases bonitas que dizia vinham de uma embalagem de bombom. Que pra mim blues era só uma cor e que vestido florido era coisa de hippie. Não está mais na sintonia, nem no conteúdo. Está na forma que a nossa sombra forma de tardezinha. Está na...

Ela: Nas fotos, nas cartas, na despedida. Ele continua nas músicas que eu ouço, na roupa que eu uso, no caminho que eu faço. Ele está na pergunta dos amigos, no lixo que não foi pra fora, na minha cara amassada no espelho, naquela cadeira vazia. Ele teima em ficar nas paredes, na estante, no criado-mudo. Porque ele não vai embora de vez?

Ele: Eu esqueci uma coisa.

Ela: O que é?

Ele: Não sei, me ajuda a procurar?

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O menino do portão do lado

Não que a gente fosse grandes amigos. Apesar de vizinhos, nos víamos pouco, em momentos ensolarados de peleia com os guris do bairro. Ele um neguinho bom de bola, atacante matador e eu, sempre na zaga, gordinho que era. Aquela bola de capotão estourada, tijolos sinalizando as traves e tênis furado no dedão. Menos ele, jogava de pés no asfalto quente. “Com o tempo acostuma o pé cascudo”, dizia, sorrindo uma banguela carismática.

Na nossa rua o pessoal não era rico o bastante para ter computadores – naquela época, eles eram enormes e muito caros – mas sempre tínhamos um almoço especial no domingo. Lembro-me de, num desses, vê-lo do outro lado da rua jogando bola com um amigo imaginário, no lugar da bola, um bolinho de meia e sacolas que ele tinha feito e escondido de todo mundo. Aquela bola sumia quando chegava a turma.

Quando as férias acabavam a nossa peleia mudava de campo, da rua para as quadras do colégio, e nós precisávamos de outro artilheiro. “Eu estudo no outro colégio”, respondia sempre que perguntávamos. Apesar de nunca comentar, sempre estranhei os horários das aulas dele: quando eu voltava, ele já tava na rua, sujo de terra rolando sua bolinha de sacola.

Foi no natal daquele mesmo ano que uma coisa simples me marcou muito. Já era dia 26 e, sentados em frente à quitanda abarrotados de balas de mel, nós competíamos para ver quem tinha ganhado o melhor presente. Eu, orgulhoso, tentava convence-los de que o meu Super Nintendo era muito mais divertido que o cachorrinho de um dos meninos da rua de baixo. No meio da discussão, ele, que eu nem percebia, mas estava lá, disse tremendo os lábios. “Eu ganhei um cavalo”. Todos olharam. “O nome dele é Faísca”.

É obvio que rimos e rimos muito, onde já se viu um menino ganhar um cavalo? Mesmo sem acreditar, naquela noite me imaginei montado num belo alazão, cavalgando no sitio da minha avó com os cabelos ao vento, salvando donzelas... e adormeci.

Hoje, quase dez anos depois, voltando de um restaurante onde fui almoçar com colegas de trabalho, despertei desse sono quando numa das mais movimentadas avenidas da cidade, vi um negrinho magrelo a bordo de uma carroça açoitando o pobre cavalo. “Vamos, Faísca!” gritava, com a mesma banguela de outros tempos.

sábado, 7 de maio de 2011

Sobre amor e uma música do Engenheiros

Todo sábado, quando o ponteiro de horas chega no nove, a atendente simpática prepara a bandeja com dois cafés e um jornal do dia. Na melhor mesa da lanchonete ele senta sozinho, mas faz questão de que a cadeira frente á sua permanecesse intacta, assim como o café pedido para ela. Com o tempo, todos aprenderam a não contrariá-lo.

Mastigando as más notícias de uma manhã como qualquer outra e imerso nas risadas e conversas que vinham de todos os cantos, ajeita os óculos de aro grosso e, com certa dificuldade, leva o guardanapo à gota que manchava a gola pólo. Devolve o jornal ao ineditismo e, pela primeira vez no dia, desvia os olhos para o balcão.

Ao fazer daqueles costumes rotina dos outros, ganhava forma uma estatura de mármore, gentil e passiva aos dissabores e contratempos da lanchonete. Não respondia piadas, não pedia favores. Só ele e o vazio de uma cadeira a lhe fazer companhia.

Mas dessa vez, nesse sábado como qualquer outro, quando terminou seu café como sempre terminava, olhou para a porta e não para o balcão. E da porta onde todos saiam a todo o momento, viu entrar uma bela garota. Uma bela garota de franja castanha que quase lhe cobria os olhos. Olhos que ele já tinha visto em um dos seus livros preferidos.

Ela sentou-se ao balcão, pediu um suco qualquer e ele, como nunca tinha feito, perseguia seus lábios decifrando palavra por palavra. Conhecia o jeito com que arrumava o cabelo e a forma que balança os pés suspensos. Previa seus gestos e o que faria no próximo segundo. Mesmo longe, ouvia sua voz. Conhecia de uma das suas músicas preferidas.

E quando ela terminou o suco e, com cuidado, ajeitou o vestido para se retirar, ele sentiu bater no peito uma angústia que nunca havia sentido. Sentiu percorrer o corpo uma inquietação que parecia não ser sua. Tremia, ofegava. Antes que aquilo o consumisse, colocou todas as forças nos braços para que a cadeira de rodas andasse. Uma força que não tinha. Abandonou a mesa e venceu metro por metro. Queria correr e alcança-la, queria dizer o que tinha ensaiado todo esse tempo. Queria dizer onde esteve todo esse tempo. Mas ela chegou à porta e sua única alternativa foi gritar. Um grito doído, monossilábico. O único som que a paralisia que adquirira quando criança o deixava emitir.

E naquele momento ela parou, os atendentes pararam de atender, os lavadores pararam de lavar e os amigos interromperam suas conversas. Aos poucos o silêncio virou plateia de um cadeirante paralítico que se arrastava até a porta. Eles viam seus braços tremendo de esforço. Eles viam sua boca ensaiando murmúrios. Eles viam um braço esticado para alguém invisível.

Mas para ele, ela estava lá. Linda com aquele sorriso que lia nos livros. Aqueles olhos traduzidos em literatura. Seu vestidinho rodado e a franja que fazia dela a personificação da sua poesia preferida. Tão próximos como nunca haviam estado, esticou seu braço e, nas mãos, o bilhete que guardou por tanto tempo: “Quer tomar café comigo?”.

"Tudo bem... Até pode ser
Que os dragões sejam moinhos de vento
Muito prazer... Ao seu dispor
Se for por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas"

terça-feira, 3 de maio de 2011

Formação técnica tem boas perspectivas

Investir em meio ambiente passou a ser uma boa oportunidade, tanto para funcionário quanto para empresas da região

Valdecir Leonardi, 42, caminha pelo corredor principal do Hospital Universitário de Maringá (HUM) apontando um galpão anexo onde será instalada a futura usina de tratamento de resíduos sólidos. A formação de Técnico Ambiental adquirida em um curso profissionalizante o capacita a trocar o cargo na lavanderia do hospital por uma vaga na sua área de formação. “De todos os cantos surgem vagas. Como eles [diretoria do HUM] dão prioridade para remanejamento interno, aqui, com a usina, eu tenho um caminho muito interessante”.

Seguindo a lógica dos cursos profissionalizantes, o curso de Técnico em Meio Ambiente prepara o aluno para rápida inserção no mercado de trabalho. Apto a coletar, armazenar e interpretar informações, dados e documentos ambientais, o técnico ambiental também poderá colaborar com a elaboração de laudos, relatórios e estudos; atuar na organização de programas de educação ambiental, conservação e preservação de recursos naturais, redução, reuso e reciclagem.

Em Maringá, o curso é oferecido desde 2005 no Colégio Estadual Juscelino Kubitschek de Oliveira, localizado na Zona 05, e já formou cerca de 300 profissionais em dez turmas. Segundo a coordenadora do curso, Luceide Eloísa Loubak, a cidade oferece grande campo para inserção dos recém formados. “Tanto pela destinação dos resíduos sólidos - que é um assunto muito discutido - quanto por outros aspectos como a arborização, contaminação de solo e fundos de vale. Maringá é uma cidade rica em meio ambiente”.

Situado numa área preservada de 2,5 alqueires, ao lado do Horto Florestal de Maringá e próximo a três reservas permanentes, o colégio é, na prática, um laboratório ambiental, o que facilita a aplicação do que é visto em sala de aula. O curso pode ser feito em dois anos – para quem já terminou o segundo grau – ou em quatro anos, com matérias específicas integradas ao ensino médio. Os formados saem com certificado de conclusão e registro como técnico no Conselho Regional de Química e no Conselho Regional de Engenharia Civil e o salário base gira em torno de R$ 1.200. A turma que começou este ano foi fechada com o limite de inscritos, 50 alunos, e teve lista de espera.

A boa fase do curso pode ter explicação na lei 16.346, publicada em janeiro do ano passado, que obriga as empresas potencialmente poluidoras do estado do Paraná, a contratarem responsável técnico em meio ambiente, seja colaborador interno ou serviços terceirizados. Consideram-se potencialmente poluidoras empresas que exerçam atividades como extração e tratamento de minerais, indústria de madeira, indústria de papel e celulose, indústria de material elétrico, eletrônico e comunicações, indústria mecânica, indústria metalúrgica, indústria química, dentre outras. Frente às demais graduações em gestão ambiental como o Bacharele a Tecnólogo, os cursos profissionalizantes se destacam por oferecer mão de obra mais barata.

Para Alisson Adamo Andrade, representante de uma empresa de consultoria ambiental com filial em Maringá, seja por força da legislação ou preocupação da empresa, os empresários da região começam a perceber o cuidado com o meio ambiente como uma forma saudável de aliar a marca da empresa a uma boa experiência para o consumidor. “Eles [empresários] começam investindo por obrigação, até porque tem muita cobrança. Bancos e financiadoras, por exemplo, exigem laudos ambientais específicos. Depois percebem ser um bom caminho para um brand marketing”. A inserção do meio ambiente na pauta das grandes empresas impulsiona a oferta de vagas no setor. “Estamos, inclusive, fechando a contratação de estagiários aqui na cidade”, completa Andrade.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Um brinde aos raios de sol ou Das andanças que o trouxeram aqui


“Encheu-se-lhe a fantasia de tudo que achava nos livros, assim de encantamento, como pendências, batalhas, desafios, feridas, requebros, amores, tormentas e disparates impossíveis, e assentou-se-lhe de tal modo na imaginação ser verdade toda aquela máquina de sonhadas invenções que lia, que para ele não havia história mais certa no mundo.”
Dom Quixote de la Mancha.



Quando o andante não mais anda, sente a falta que faz a brisa. Sentado sobre os pedaços da antiga armadura, agora calcula um sem número de motivos que o trouxeram àquela sombra. Não era mais zelo, nem calmaria. Não seria porto de qualquer que fosse a partida. Só ossos, ócio, destroços.

Num passo a água fria. Não era a coragem, irmã de empreitada, que indicava o caminho, sim um instinto quase animal de perseverança. Tinha de. Segundo passo, terceiro, quarto. Na superfície da dúvida, caminhava, tendo o céu, escuro dos últimos anos, como única testemunha de sua incerteza.

A realidade que engole, o pessimismo que abraça, um sorriso que afoga. Os pedaços do que já foi flutuam mostrando serem mais que pedaços. Aquele som de flautas ficou na sombra. Nem o frio daquele deserto de águas onde estava submerso fazia sentido, mas lembrou. “A razão da sem-razão que à minha razão se faz, de tal maneira a minha razão enfraquece, que com razão me queixo da vossa formosura”. E sorriu para Doroteia.

O que seria, então, a felicidade de alguém senão o eterno desafio, o frio na barriga, a chance de dar certo? Encontrar, de uma vez por todas, o caminho para casa, mesmo que a casa seja lugar algum. A procura torna-se, então, a alvorada de cores naquele céu de tempestade.

Poderia ser destroços, uma mão estendida ou um simples raio de sol. O sopro que devolve o fôlego também empresta dúvida, e dela, andante nenhum afraquece.

Um brinde aos raios de sol, ou, como diria uma amiga, à exposição a eles, tintin.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Negação

Parece que engoliu um ralo. Vasculha com os olhos a imensidão de coisa alguma, procurando não se sabe o quê. De qualquer forma nada que encontrasse preencheria aquele espaço que não foi guardado, mas insiste em estar lá. Lá onde nada mais estava. Difícil mesmo era um sonhador entender que a procura por si só já não fazia mais sentido.

À sua frente uma tela em branco, que poderia bem servir de espelho. Espalhados sobre a mesa uma crença mal mastigada e pedaços de bandeira social-democrata sobre uma revista de quadrinhos. Os rabiscos, de traço rasgados e imprecisos, não se encaixam nem entre os pós-modernos. Não usa óculos, só um cartão de crédito entre dúzias de canhotos.

Inventava manias para justificar seus hábitos estranhos.

Inventava os hábitos para fugir do mundo.

Inventava um mundo para viver manias.

Inventava um mundo em que só um estranho habita.

Nas paredes da casa que não é sua, lembranças mal divididas: meio angústia, meio vivida. Entre os retratos, uma janela que não tem vista para lugar nenhum, ainda assim meio encoberta por uma cortina de receio. Na cama que ninguém mais deitou, o resto de relações mal resolvidas: um amor que nunca existiu, uma decepção que nunca esqueceu e meia dúzia de beijos mal sonhados.

Mesmo assim não era infeliz, o pobre. Era passagem. Era ponte. Era degrau. Era número de inscrição fiscal. Era inquilino da vida dos outros. A terceira pessoa no plural. Era cabelo, barba, pêlo. Era aquela sensação de ausência. Aquela sempre falta. Um passado mal resolvido. Um otimismo desnecessário. Talvez seria medo, se arriscasse, mas não valia nem o suicídio. Porque era ralo.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Crescimento financeiro em até dez vezes sem juros

A dinâmica do mercado de ações e a promessa de rentabilidade em longo prazo ascende o interesse de um novo tipo de investidor


Segundo o operador de ações Felipe Bernardes, existem cinco maneiras de ficar rico: nascer em berço de ouro; casar com um milionário; possuir um talento especial; acertar os números da mega-sena ou o mais comum e acessível, economizar e investir da maneira correta. Sobre os quatro primeiros ele diz que não ter muito a fazer, mas quanto ao último a sua palestra intitulada “Desmistificando a bolsa de negócios” iria ao menos despertar o potencial investidor de cada um dos participantes

“Apesar de não estar nos grandes centros, o per capita de Maringá é de um padrão maior do que o da maioria das cidades. Além de que, é um mito essa tal história de só investe quem tem muito dinheiro.” comenta Bernardes, que diz ter feito seu primeiro investimento aos dezesseis anos, assim que começou a trabalhar com o avô.

O otimismo de Bernardes é o mesmo de quem vê a crescente migração de investidores para a Bolsa brasileira nos últimos anos. Conforme dados da BM&FBOVESPA, em 2000 eram 70 mil pessoas investindo, hoje o número chega a 530 mil e a expectativa é de que em cinco anos a bolsa de valores alcance a marca de cinco milhões de investidores. Aspectos como o novo padrão de consumo e o aumento da expectativa de vida obrigam as pessoas a organizar melhor seus gastos e planejar em longo prazo, em contrapartida a diminuição da taxa de juros desestimula aplicações em renda fixa e faz da dinâmica da bolsa de valores uma oportunidade muito mais atraente.

Além das palestras sobre a Bolsa de Valores, Bernardes dá aulas para uma turma de MBA em Gestão Empresarial e Negócios no Cesumar (Centro Universitário de Maringá) e orienta investimentos por meio de uma corretora. “Tenho todos os tipos de perfis de clientes. Daquele que guarda todo mês, passando por aquele que já conseguiu uma quantia interessante e quer aumentar, até o que precisa preservar seu capital, pois não tem mais idade para trabalhar.” complementa. Entre os dispostos a começar os investimentos estava o assistente de eventos Raoni Robson Ruiz, de 19 anos.

Com renda de aproximadamente R$ 700, Raoni soube na palestra que se começar a investir R$ 100 por mês em ações de renda fixa - como a poupança, que gera cerca de 7% de juros ao ano – aos cinqüenta anos teria rendimentos que garantiria a compra à vista de um carro popular. Mas se fizesse o curso “Aprenda a investir na bolsa de valores” e dominasse as estratégias básicas do mercado de ações, teria boas chances de garantir uma aposentadoria milionária.

“Já até fiz a inscrição e pretendo começar o curso com essa primeira turma. Acho que é uma chance muito boa para aprender um novo jeito de ganhar dinheiro”, comenta Raoni. O curso é oferecido pela empresa palestrante e novo investidor tem a possibilidade de parcelar em até dez vezes sem juros no cartão de crédito.

*Mais reportagens